A palavra “transtorno” costuma assustar, e muito. Quando associada à aprendizagem do nosso filho, ela pode soar como um diagnóstico pesado ou definitivo.
Mas aqui, na psicopedagogia, olhamos para isso de outra forma. Primeiramente, é crucial diferenciar uma “dificuldade” de um “transtorno”.
Uma dificuldade de aprendizagem pode ser causada por muitos fatores: uma metodologia de ensino inadequada, questões emocionais (como ansiedade ou a separação dos pais), ou até mesmo mudanças de escola.
Um Transtorno Específico do Aprender, por outro lado, tem origem neurobiológica. Ou seja, é uma maneira particular e persistente que o cérebro tem de processar certos tipos de informação.
Portanto, não se trata de “preguiça”, falta de inteligência ou falta de esforço. Trata-se de uma fiação cerebral diferente, que exige uma forma de ensinar diferente. Os mais comuns são a Dislexia, a Discalculia e a Disgrafia.
O que NÃO é um Transtorno do Aprender?
Antes de listar os sinais, é fundamental entender que um transtorno:
- Não é falta de inteligência: Crianças com transtornos de aprendizagem frequentemente têm inteligência média ou acima da média.
- Não é culpa dos pais: Não é causado por falta de estímulo em casa.
- Não é preguiça: A criança geralmente se esforça muito mais que os colegas para obter resultados menores, o que é exaustivo.
Como Identificar os Sinais Precoces?
Como pais, vocês não precisam diagnosticar, apenas observar. O diagnóstico é feito por uma equipe multidisciplinar (envolvendo neuropsicopedagogos, fonoaudiólogos e médicos).
Observe se os sinais são persistentes e inconsistentes com a inteligência geral da criança:
1. Sinais de Dislexia (Transtorno da Leitura)
A dislexia não é “ler ao contrário”, como muitos pensam. É uma dificuldade de associar os sons às letras (o processamento fonológico).
- Na pré-escola: Atraso na fala, dificuldade em aprender rimas e canções infantis.
- No início da alfabetização: Dificuldade extrema em aprender o alfabeto e os sons das letras.
- Na leitura: Leitura lenta, “silabada”, pulando linhas ou palavras. Troca de letras com sons parecidos (f/v, b/p) ou grafias semelhantes (b/d, p/q).
- Na escrita: Muitos erros ortográficos (mesmo em palavras comuns), omissão ou adição de letras.
2. Sinais de Discalculia (Transtorno da Matemática)
É uma dificuldade que vai muito além de “não gostar de matemática”. É um bloqueio no senso numérico básico.
- Dificuldade em entender o conceito de “quantidade” (ex: o que é “mais” e “menos”, ou se 8 é maior que 5).
- Dificuldade em “contar” e relacionar o número ao símbolo (ver “3” e saber que são “três coisas”).
- Continua usando os dedos para fazer contas simples quando os colegas já abandonaram esse método.
- Dificuldade em memorizar a tabuada ou em “armar” contas no papel.
3. Sinais de Disgrafia (Transtorno da Escrita Manual)
Frequentemente confundida com “letra feia”, a disgrafia é uma dificuldade motora na execução da escrita.
- Letra quase ilegível, mesmo quando a criança se esforça muito.
- Extrema lentidão para escrever, pois cada letra exige um esforço cognitivo enorme.
- Dor na mão ou no braço ao escrever.
- Texto desorganizado na página: tamanho de letra inconsistente, dificuldade em respeitar as margens ou linhas.
O que fazer se notar esses sinais?
Se você identificou seu filho em vários desses pontos, o primeiro passo é respirar fundo. Identificar cedo é o melhor presente que você pode dar a ele.
O próximo passo é buscar uma avaliação psicopedagógica ou neuropsicopedagógica. Com o mapeamento correto de como ele aprende, podemos usar as estratégias, ferramentas e adaptações certas para que ele possa desenvolver todo o seu potencial.