Meu filho tem dificuldade para aprender.” Esta é, talvez, uma das frases que mais causam angústia em pais e mães. Você se esforça, explica, senta junto para a lição de casa, mas parece que o conteúdo simplesmente não “cola”.
A primeira reação costuma ser de frustração. A segunda, de preocupação. Imediatamente, pensamentos como “ele é preguiçoso?” ou “será que ele tem um problema sério?” vêm à mente.
Mas, antes de tudo, calma.
A dificuldade de aprendizagem é um sintoma, um sinal de que algo no processo não está fluindo como deveria. Não é uma sentença e, quase nunca, é “preguiça”. O importante é que você percebeu. Esse já é o primeiro passo.
Agora, vamos organizar por onde começar a investigar.
1. O Primeiro Passo: Observar (Antes de Diagnosticar)
Antes de procurar qualquer especialista, seu papel inicial é o de observador. Tente identificar quando e como a dificuldade aparece, sem julgamentos.
- É em uma matéria específica (como matemática ou português)?
- A dificuldade é na leitura e interpretação, ou na escrita?
- Ele parece se distrair facilmente (falta de foco)?
- Ele parece entender tudo oralmente, mas “trava” na hora de colocar no papel?
- Ele reclama de cansaço, dor de cabeça ou sono durante os estudos?
Anotar essas percepções ajudará muito qualquer profissional no futuro.
2. Descartando Barreiras Físicas
Muitas vezes, a resposta é mais simples do que imaginamos e não está ligada diretamente ao cérebro, mas sim aos “sensores” do corpo. Por isso, o segundo passo é verificar o básico:
- Visão: Quando foi o último check-up no oftalmologista? Um leve astigmatismo pode tornar a leitura cansativa e desestimulante.
- Audição: A criança ouve bem? Uma perda auditiva leve pode fazer com que ela perca instruções cruciais na sala de aula.
- Sono e Alimentação: A rotina está saudável? Uma criança que dorme mal ou se alimenta de forma inadequada não terá energia cognitiva para aprender.
3. A Aliança com a Escola
Você vê o “filme” em casa; a escola vê o “filme” em grupo. A escola é sua principal aliada. Marque uma conversa franca com o(a) professor(a) e a coordenação pedagógica.
Pergunte: “Vocês percebem essa dificuldade em sala de aula?”, “Como é o comportamento dele com os colegas?”, “Em quais momentos ele parece mais disperso ou com dificuldade?”. A escola pode oferecer um panorama comparativo e relatar intervenções que já tentou.
4. A Avaliação Psicopedagógica: O Detetive da Aprendizagem
Se você já observou, descartou as questões físicas e conversou com a escola, e a dificuldade persiste, é hora de uma avaliação direcionada.
É aqui que entra o psicopedagogo.
Este profissional é o “detetive” do processo de aprendizagem. Ele não vai apenas aplicar um teste e dar um rótulo. A avaliação psicopedagógica investiga como seu filho aprende, quais rotas cognitivas ele usa, onde estão os “nós” (sejam emocionais, cognitivos ou metodológicos) e, o mais importante, quais são as potencialidades dele.
O que NÃO fazer?
No meio dessa jornada, evite duas coisas: culpar a criança (com rótulos como “preguiçoso” ou “desinteressado”) e se culpar. A dificuldade de aprendizagem não é culpa de ninguém.
O mais importante é agir cedo. Quanto antes entendermos como seu filho aprende, mais rápido poderemos ajustar as ferramentas para que ele possa brilhar.